Por Bruna Coelho da Hand Talk

Entregar currículo de porta em porta é coisa do passado. Com a evolução da tecnologia, os processos de recrutamento estão migrando para o mundo digital. Está cada vez mais comum as empresas abrirem processos seletivos em plataformas digitais o que facilita a vida de muita gente, mas nem sempre de todo mundo.

Nos últimos anos, as empresas têm contratado cada vez mais profissionais com deficiência. Essa iniciativa é incentivada pela lei de cotas,  que entrou em vigor em 1991. Ela exige que todas as empresas com mais de 100 funcionários tenham de 2% a 5% dos cargos preenchidos por pessoas com deficiência.

Nesse cenário, surge o desafio para gestores e recrutadores encontrarem esses profissionais. E, muitas vezes, as vagas ficam estagnadas por meses sem serem preenchidas. Mas por que isso acontece? Por que a vaga não foi divulgada corretamente? Esse fator influencia sim o tempo para encontrar alguém para preenchê-la, mas quando se trata de pessoas com deficiência não é o fator principal. Um outro obstáculo pode estar no caminho.

Quando a plataforma utilizada para recrutamento não está acessível, muitas vezes, uma pessoa com deficiência simplesmente não consegue se aplicar, e isso acaba estendendo o tempo de recrutamento. É como se sua porta de entrada estivesse fechada para elas. Por isso, seu site precisa estar adaptado para recebê-las. Conheça as barreiras mais comuns e algumas dicas para superá-las!

Deficiência Visual


As pessoas cegas e com baixa visão geralmente navegam na internet utilizando leitores de tela. Esse software reconhece todos os conteúdos de uma página, sejam eles textos ou imagens, e descrevem em voz alta para que elas consigam compreender seu conteúdo. Bom, até aí tudo bem! O problema está nas imagens que não possuem textos alternativos, sem eles os leitores não conseguem identificar do que a imagem se trata e acaba descrevendo-as apenas como: “imagem”. Ou seja, sem nenhum detalhe que esteja relevante para a sua compreensão.

Outro problema para os leitores de tela são os formulários. Se eles possuírem CAPTCHA, por exemplo, os símbolos e caracteres expressos nele para concluir o cadastro não são interpretados pelos leitores de tela, impossibilitando assim a conclusão do cadastro de uma pessoa cega. Agora que você já sabe, não caia no erro de publicar imagens sem descrição e formulários -e vamos para os próximos passos!

Surdez


São aproximadamente 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva no Brasil, e os surdos são alfabetizados em Libras (Língua Brasileira de Sinais) em sua maioria, dependendo dela para se comunicar. Quando o site não está acessível em Libras ou os vídeos não possuem legenda e tradução para a língua de sinais, a comunicação com esse público fica comprometida.

Para evitar que isso aconteça, sempre insira legendas dos vídeos e janela de interpretação para Libras. Além disso, procure utilizar uma plataforma de recrutamento que possua um tradutor para Libras. Assim, não tem erro, você vai evitar todos ruídos na comunicação com os surdos!

Deficiência Intelectual e mental


Seja o mais claro possível! Escreva frases simples, curtas e na ordem direta. Quando utilizar algum conceito específico de determinada área, busque sempre explicá-lo dando exemplos que se encaixem ao cotidiano, assim as pessoas com deficiência cognitiva que não conhecerem o termo vão conseguir compreendê-lo através do contexto. Essas mudanças textuais facilitam a leitura de todos, além de ajudar, e muito, as pessoas com algum tipo de deficiência cognitiva, facilitando a compreensão do conteúdo por elas.

Seguindo essas dicas não tem erro, além de causar uma ótima primeira impressão com um processo de recrutamento elaborado pensando na usabilidade da pessoa com deficiência. Você também vai atrair diversos talentos para o seu processo seletivo!