Quando você precisa tomar uma decisão difícil, já parou para pensar os motivos que te fazem optar por um caminho e não outro? E quando olha para uma pessoa pela primeira vez, se nunca a viu, como consegue ter uma impressão dela sem trocar nenhuma palavra? Isso tudo pode ser culpa do viés inconsciente.

As ações e decisões tomadas costumam se basear em experiências vividas anteriormente e no conhecimento que se adquire ao longo da vida. Podemos chamar isso de pré-conceito, ou seja, uma definição de algo inconsciente e que nem sempre corresponde à realidade atual.

Existem exemplos práticos para entender isso melhor. Se você olha na rua para uma pessoa com roupas pretas, piercings e tatuagem, logo imagina que a pessoa gosta de rock e tem uma personal idade rebelde. Já quando vê uma pessoa com deficiência visual, é comum achar que ele precisa de ajuda para atravessar a rua e que ele deve ter uma vida sofrida.

Esses exemplos são estereótipos causados pelo viés inconsciente. O cérebro faz associações com o que aconteceu no passado e cria situações muitas vezes ligadas ao preconceito. Eles acabam sendo tendenciosos e quando se analisa o cenário, é possível perceber que muitas vezes o cérebro nos engana.

O impacto do viés inconsciente nas empresas


O viés inconsciente pode causar  problemas  e as empresas têm sua parcela de responsabilidade. A falta de oportunidade a funcionários e exclusão de grupos do mercado de trabalho podem ser ocasionadas por ele. Veja alguns casos.

Na hora da contratação, se o profissional de RH não se focar nas competências profissionais dos candidatos, ele pode ser discriminatório por conta de um viés inconsciente. Ele deixará por exemplo de contratar pessoas com deficiência física por acreditar que  todas elas terão dificuldade de se locomover dentro da empresa, mesmo a pessoa afirmando que possui autonomia e está acostumada com os obstáculos.

Pode ocorrer também de um grupo de trabalho não acolher bem um novo profissional devido a uma experiência negativa anterior. O antigo funcionário não conseguia bater as metas e tinha deficiência de fala. O novo profissional possui a mesma deficiência, porém, uma formação superior e um histórico profissional impecável. Mesmo assim, o grupo não o aceitará bem.

Há também as situações em que ocorre o viés inconsciente de afinidade. Um gestor acaba se identificando com um membro do grupo por conta de um hobby em comum e por conta disso acredita que ele é melhor e mais preparado que todo restante do time. Dessa forma, acaba promovendo a pessoa que poderia não ser a mais indicada apenas por ter pontos em comum.

Em todos esses exemplos e em outros casos em que ocorre o viés inconsciente, o problema está em ter preconceito ou supervalorizar as pessoas com base em experiências anteriores e não no que elas representam ou demonstram. Isso acaba por gerar desarmonia entre os times, profissionais despreparados e, consequentemente, uma queda no desempenho da empresa como um todo.

Como trabalhar o viés inconsciente


Para lidar com o viés inconsciente, a pessoa primeiro precisa ter ciência de que o pratica.  Orientação dos profissionais e treinamentos que visam demonstrar esse preconceito são ações que minimizam a exclusão.

A experiência precisa ser mais valorizada do que determinadas características como idade, sexo, deficiência e aparência. Se a valorização das características adequadas para o trabalho ocorre desde o recrutamento, há mais chances de que os gestores e as equipes também percebam o novo colega de trabalho pelos seus feitos profissionais, evitando que se criem imagens baseadas no viés inconsciente.

É preciso também trabalhar a comunicação. Dessa forma é possível trocar informações, opiniões e conscientizar. A ideia é ter ações que promovam a equidade no cotidiano e que permitam que todos tenham as mesmas oportunidades.

Uma das maneiras de lidar com o viés inconsciente é se permitir ter novas experiências, dessa forma é possível quebrar paradigmas e criar novos pensamentos sobre um determinado assunto. Essa atitude pode fazer com que as pessoas passem a conviver melhor e se tornem mais criativas.

O viés inconsciente existe e faz parte de cada pessoa, porém, ele pode ser controlado para garantir que não se crie pré-conceitos sem antes buscar conhecer o próximo. Essa é uma questão que precisa ser trabalhada no dia a dia e que muitas vezes requer ajuda para ser percebido.

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