Por : Carolina Ignarra


Pesquisa realizada pelo Vagas.com aponta que mais de 52% dos profissionais já sofreram assédio. Destes, 84% são praticados pelos chefes diretos das vítimas e vale ressaltar que 87,5% dos assediados NÃO denunciaram por medo de perder o emprego (39,4%), medo de represálias (31,6%) e por vergonha (11%).


A pesquisa ainda aponta que 74,6% das vítimas afirmaram que o agressor permaneceu na empresa mesmo após a denúncia. E aponta que 47,3% dos casos de assédio moral, são os caracterizados por piadas, chacotas, agressões verbais ou gritos constantes.



Como está o assédio moral em nossas empresas?


De acordo com os especialistas, parte dos assédios acontece por falta de informação dentro da empresa. É uma questão de cultura, o assédio costuma acontecer em um ambiente que favorece esse tipo de atitude e não é um caso isolado. O gestor que hoje assedia, já foi assediado por alguém. O assediador geralmente é uma pessoa insegura que quer subjugar outra pessoa para poder se sobressair.

Sabendo, então, que o assédio moral é presente nas organizações e que muitas vezes os agressores nem se dão conta que são assediadores, a reflexão de como está o assédio na sua empresa é válida. Quantas vezes o RH já conversou sobre esse assunto com os colaboradores? Foi feita alguma pesquisa interna? Existe algum canal para denúncias?


Não promover formas de identificar os casos de assédio, é fechar os olhos para o problema e permitir a recorrência.


Comumente encontro pessoas saindo doentes das empresas. Recentemente, fui atendida por um rapaz paulista em um hotel em Blumenau. Ele me disse que sofreu muito em um banco, muitas metas inatingíveis, muitos gestores despreparados e ele quase chegou ao suicídio. Largou tudo e foi recomeçar a vida em uma cidade mais tranquila e em um emprego que o remunera menos, mas o deixa mais pleno e feliz.


Neste dia, parei para pensar quantas histórias parecidas com as dele eu conheço e quantas empresas estão “cegas” e “surdas” para esses casos. Comecei então a ler mais sobre assédio moral, mesmo sem buscar diretamente, li também sobre assédio sexual e quanto mais leio, mais lembro de casos de pessoas próximas.


Lembrei dos feedbacks que recebo dos gestores, que participam dos treinamentos que ministro, sobre inclusão produtiva de profissionais com deficiência: “aprendi a ser um melhor gestor de pessoas”, “entendi que preciso me aproximar mais de todas as pessoas do meu time, não apenas das que tem alguma deficiência”. Bingo!!! É isso aí lideres, quanto mais perto das pessoas, mais chances de promover um ambiente favorável para a saúde, bem-estar e, consequentemente, produtividade.


Formar liderança inclusiva é o caminho mais acertado para aumentar a qualidade da gestão, diminuir os casos de assédio, aumentar a performance individual e impactar positivamente nos resultados coletivos.



  5 Atitudes de Líderes Inclusivos



  1. O líder inclusivo… mostra que realmente se importa com as pessoas. Aproxima-se do seu time, entende as necessidades singulares, direciona as orientações e desenvolvimento das pessoas, considerando a equidade no tratamento.

  2. O líder inclusivo… promove relações de respeito e colaboração entre as pessoas. Entende que o clima da área e as atitudes das pessoas decorrem de seu comportamento, lídera com transparência e valoriza as pessoas que trabalham bem em equipe.

  3. O líder inclusivo… gera relacionamentos de confiança. Olha nos olhos, aperta firma a mão das pessoas e se posiciona disponível para escuta e aconselhamento empático, consegue se colocar no lugar do outro, considerando a vida e a realidade do outro.

  4. O líder inclusivo… desperta o melhor de cada profissional. Reforça os comportamentos positivos de cada um, avalia uma pessoa em relação a ela mesma e quando compara com os demais, gera sentimento de espelho e desenvolvimento e não de competição.

  5. O líder inclusivo… estabelece metas claras, possíveis e cobra resultados. A cobrança gera desafios e os desafios geram resultados. Todos os seres humanos precisam de objetivos claros, que respeitem suas possibilidades de entrega, que gerem produtividade e ganhos para todos. Empresa ganha, gestor ganha e profissional ganha.


O trabalho do gestor envolve grande responsabilidade, lidando diretamente com os objetivos da empresa, desempenho da equipe e a carreira dos profissionais que atuam sob sua gestão, sendo assim, vamos formá-los de acordo com os conceitos da diversidade. A cultura de respeito às diferenças promove benefícios para todos e o reconhecimento dos profissionais em sua singularidade faz com que se sintam mais motivados para darem o melhor de si. Faze-los perceber que um não precisa ser ruim para o outro ser bom. Todos podem ser bons, entregar, desenvolver e, inclusive, ensinar a empresas, os líderes, os pares, os subordinados, os terceiros. A soma de um mais um é igual a todos.