“A acessibilidade existe pela convivência”. Dessa forma é que Carolina Ignarra acredita que é possível incluir, como mostrou no 12º Fórum IOS de Responsabilidade Social realizado na última semana de Abril, em São Paulo.

Em pouco mais de duas horas de um bom bate-papo, Carol trouxe à superfície da discussão, alguns pontos importantes na hora de incluir a pessoa com deficiência. Um deles foi a preparação para as diferenças. “Se não há comunicação e as necessidades não são explicadas, não é possível que todos estejam preparados para as situações que podem surgir”, afirmou.

Carol reforça que os relacionamentos acontecem pelas afinidades e não pelas diferenças sempre lembrando que a deficiência é um estado e não valor. “Meu marido não casou comigo porque estou em uma cadeira de rodas, ele se casou comigo pelo que eu sou.”, contou.

A vida de Carol mudou após um acidente de moto que não a deixou mais andar. Na época, ela dava aulas de ginástica laboral em fábricas e teve dúvidas sobre a volta ao trabalho. Mas em três meses, com o apoio e auxílio da amiga e gestora Andressa Pinheiro, já estava de volta às suas tarefas, se adaptando ao novo estado e que aos poucos contagiou todo o grupo de professores e deu um novo significado para as atividades.

Enquanto dava seus treinamentos começou a perceber a oportunidade de negócios e fundou a Talento Incluir, que atende e prepara empresas e a pessoa com deficiência para o mercado de trabalho, como forma de inclusão, promovendo uma cultura que valoriza a diversidade. “A diversidade, definida no dicionário, é: a qualidade da diferença.”, conta Carol Ignarra.

Pela Talento Incluir já passou por diversas empresas que ainda não se adequaram a Lei de Cotas (Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991) e têm dúvidas na hora de contratar e reter a pessoa com deficiência em seu quadro de funcionários. E afirma que essa lei é para quem não está preparado, por isso é necessário realizar uma conscientização em toda a empresa, mudando não só o comportamento, mas estimulando uma nova cultura.

Como exemplo, Carol contou a história de um diretor de uma grande empresa que precisava contratar e não sabia como fazer para conscientizar aos demais. Ela então sugeriu que seu novo assistente fosse uma pessoa com deficiência intelectual, que poderia exercer as funções operacionais que sua secretária executava anteriormente. “Quando viram que o diretor tinha uma pessoa com deficiência como assistente, todos os outros funcionários entenderam e aceitaram melhor os próximos contratados.”

Superação e amizade

Ao final da palestra, Carolina Ignarra e Andressa Pinheiro, juntas fizeram uma surpresa emocionante a todos. “Viver a vida do outro”, foi como as duas puderam expressar o momento, enquanto trocam de lugar, com Andressa na cadeira de rodas e Carol em pé, com a ajuda da amiga. Mostrando que só com convivência e amizade foi possível superar aquele momento de descobertas e trilhar novos caminhos.