Quando pessoas com deficiência pensam em viajar, muitas vezes acabam desistindo, mas não pela falta de dinheiro ou destino pouco atrativo, e sim pela falta de acessibilidade no turismo. Por mais que tenhamos lei que estabeleça critérios para a acessibilidade em transportes, edificações e outros, nem sempre as regras são seguidas. No máximo, são cumpridas parcialmente.

A dificuldade das pessoas com deficiência em viajar pode começar na pesquisa pelo destino e na obtenção de informações. Muitas vezes a internet é utilizada como principal fonte de pesquisa e pessoas que sofrem com dificuldade de leitura, visão ou audição podem encontrar as primeiras barreiras. A maioria dos sites não é adaptado, uma exceção é o Visite São Paulo, que já tem apresentado algumas soluções.

Quando encontram um destino e resolvem visitar, muitas pessoas com deficiência se sentem desconfortáveis perante a outros turistas. Eles não conseguem encontrar quartos adaptados, aeroportos acessíveis, companhias aéreas e outros meios de transporte adequados para garantir a acessibilidade no turismo. Quando encontram, precisam pedir detalhes para se certificar que poderão viajar sem preocupações.

A precariedade no atendimento às pessoas com deficiência faz com que surja uma outra questão: para se ter acesso a tudo que se precisa, tem que pagar mais. As viagens que são acessíveis possuem um maior custo e não é raro quando se precisa pagar para ter acesso à adaptação e apoio.

Um grande erro das empresas do setor de turismo é ainda pensar que colocar uma rampa de acesso resolverá o problema. O fato é que é preciso pensar em muitas outras questões. Os hotéis precisam ter camas em que os hóspedes cadeirantes possam se deitar sem ajuda, ter barras nos banheiros, funcionários que saibam libras e profissionais que possam guiar as pessoas com deficiência visual até os seus quartos e indicar onde estão os objetos.

Os restaurantes precisam incluir cardápios em braile e ter mesas adaptadas para caber a cadeira de rodas. Quando o assunto é transporte, esse pode ser mais um desafio enfrentado. São poucos os ônibus que possuem rampas e os táxis não comportam cadeiras de rodas.

No Brasil, muitos dos locais não possuem acessibilidade no turismo, e isso dificulta que as pessoas com deficiência visitem alguns pontos turísticos. Teatros, estádios e auditórios precisam ter cadeiras reservadas para quem possui mobilidade reduzida e seu acompanhante, e devem garantir o fácil acesso a eles.

Se por um lado é preciso de muita adaptação, por outro, investimentos têm proporcionado mudanças e tornado locais como o centro histórico de Salvador mais acessíveis. Mesmo sendo uma construção antiga e tombada pelo patrimônio, o local pôde passar por adaptações para garantir o direito de acesso a todos. Por sua vez, São Paulo possui mais de 300 atrações acessíveis, algumas delas com audioguias, acesso para cadeirantes, totens em braile e pisos táteis.

São as pequenas mudanças que têm mostrado uma melhora na acessibilidade no turismo, entretanto, ela está presente principalmente nas grandes cidades e muitos dos roteiros não são capazes de receber as pessoas com deficiência como elas precisam.

Acessibilidade no turismo não depende apenas da infraestrutura


Investir em infraestrutura é um dos passos para garantir a acessibilidade no turismo, mas, somente isso não é suficiente. É preciso que os profissionais da área estejam preparados para atender as mais diferentes necessidades.

Seja na venda de passagens ou recepção do turista, é preciso saber se comunicar com ele, sendo que nesse ponto é preciso que haja uma comunicação verbal, visual ou tátil que atenda a qualquer tipo de deficiência.

Outro ponto de atenção é a forma como o profissional foi preparado para recepcionar os visitantes. Em um hotel, por exemplo, não adianta ter uma infraestrutura completa se, por exemplo, a toalha do quarto é colocada em um ponto onde o cadeirante não alcança ou se o deficiente visual não consegue identificar onde estão os objetos por falta de orientação.

Para chegar ao patamar desejado de atendimento, é preciso contar com empresas especializadas em acessibilidade e inclusão e assim garantir a capacitação de todos os colaboradores. Além disso, ter pessoas com deficiência nas equipes ajuda a entender e aprender mais sobre a diversidade e suas necessidades.

Por isso, para garantir que haja acessibilidade no turismo, é preciso ter empenho e conscientização, fazendo com que sejam cumpridas as normas técnicas referentes a edificações e transporte, ao mesmo tempo em que os profissionais são preparados para lidar com a diversidade.

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