A Lei de Cotas no Brasil realmente tem conseguido espaço entre as empresas com mais de 100 colaboradores, já que é exigido delas um percentual de vagas destinadas às pessoas com deficiência. Mas, infelizmente, ainda é necessário que a fiscalização aconteça para que seja cumprida. A fiscalização é o sucesso da Lei de cotas no Brasil. 


A maioria das empresas ainda começa a incluir pela obrigatoriedade da lei. Prova disso, é que 92% das pessoas com deficiência no mercado de trabalho estão empregadas justamente nas empresas com 100 ou mais trabalhadores, de acordo com dados da fiscalização.


O fato é que as empresas que já atuam no fortalecimento de suas culturas de inclusão, cumprem a lei de cotas e não reclamam dela. Essa fase passou! Hoje, entendem quantos benefícios elas podem agregar às suas marcas e produtos. Entendem que PCD (Pessoa com deficiência) não é um cargo que precisa constar nas suas folhas de pagamentos. 


Porém, a falta de informação pode atrapalhar e gerar multas desnecessárias por falta de cumprimento das exigências da lei. Empresas que “aproveitaram” a pandemia e a quarentena para demitir – logo de cara – seus profissionais com deficiência podem e serão penalizadas. De acordo com a lei, a demissão de um profissional com deficiência implica na imediata contratação de outro profissionais com deficiência.

Além de estar adequado às quantidades definidas pela lei de cotas, existem providências que as empresas devem tomar quanto à evolução e crescimento dos contratados com deficiência, para assegurar que não estão sofrendo nenhuma espécie de discriminação.



Inclusão é mais do que obrigação


Ainda assim, a pandemia mostrou a triste realidade das empresas que abandonaram seus processos de cultura de inclusão e se aproveitaram do momento para excluir e eliminar postos de trabalhos onde mantinham profissionais com deficiência. A rigor, essas empresas deverão voltar atrás. Mas o que importa de fato, é que todo o esforço da lei é para que um dia ela não seja mais necessária. 


Estamos vivenciando tantas e tão novas experiências que observar apenas já não é mais possível. No futuro bem próximo, toda a empresa será cobrada pela sua atuação social e econômica em diversas instâncias da sociedade. Isso é um fato e já está ocorrendo.


Quem ainda não entendeu essa nova forma de fazer negócios no mundo não sobreviverá. A inclusão é um desses temas que o mundo corporativo passou a respirar e que vem amadurecendo com novas ações que vão além da inclusão pela lei. Isso é inovar.


E qual será a evolução do tema inclusão? Certamente a não exigência de lei de cotas é um deles, mas isso ainda vai demorar um pouco para ocorrer.


Ainda assim, estamos presenciando ações inovadoras neste exato momento e que tem sido uma feliz e grata surpresa em meio ao caos da pandemia. Se por um lado a inclusão ainda acontece pela imposição da lei, por outro, temos muitos exemplos de empresas que começam pela lei e depois amadurecem o tema. Surge ‘a página seguinte’ do processo inicial da inclusão nas empresas: o acolhimento emocional.



Entenda mais sobre Acolhimento Emocional na pandemia


Trata-se de ações idealizadas para apoiar as empresas e ajudá-las a prestar o apoio ideal aos profissionais com deficiência, no momento de afastamento social, quando o medo e as incertezas passaram a ser pauta dentro das corporações.


É vibrante e motivador ver uma empresa ‘chamar para si’ a responsabilidade dessa preocupação com seus colaboradores no momento mais difícil e desafiador para qualquer modelo de negócio. Esse novo olhar do acolhimento emocional também revela a intensidade com que a empresa atua de fato na inclusão. Não é só “boa vontade”. É atitude inclusiva de fato.


Esse é o retorno que a Talento Incluir acaba de receber no projeto de Acolhimento Emocional que acabamos de concluir na ADP Latam. Preocupada com a saúde emocional de seus 65 profissionais com deficiência, no ápice do momento de isolamento social, a ADP Latam resolveu investir no projeto e entender como estão seus colaboradores com deficiência na quarentena.


Um projeto como esse envolve uma série de passos. Foram realizadas entrevistas individualmente com esses profissionais para entender como eles lidam com suas deficiências, também como andava a saúde emocional, os aspectos familiares e sociais. As respostas mostraram como os profissionais percebem suas produtividades no trabalho remoto, as condições e ferramentas de trabalho, o relacionamento com gestão e equipe e o seu nível de engajamento com o trabalho e com a empresa.


O resultado desse projeto trouxe à ADP Latam um plano de ações que vai beneficiar a empresa e seus colaboradores, além de identificar a possibilidade de aplicar o home office, pós quarentena, para 75% dos profissionais com deficiência. 


Assistir de perto a trilha que empresas como esta tem percorrido ao investirem em projetos de uma inclusão mais estruturada chega a ser um privilégio e um alento. É, sem dúvida, um gesto que nos impulsiona e nos motiva a acreditar que as transformações vão ocorrer e que o “novo normal” trouxe a certeza de que a inclusão não será uma opção. Será condição!


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