Outubro rosa é o nome dado para uma campanha internacional para a conscientização do câncer de mama. Para falarmos sobre isso, primeiramente é necessário saber sobre números e como eles afetam as mulheres.



Dados sobre câncer de mama


Segundo pesquisa realizada pela Agência Internacional de Pesquisa de Câncer (IARC), o câncer de mama está entre os três tipos de câncer de maior incidência (junto com câncer de pulmão e colorretal), uma em cada 4 mulheres que tem câncer diagnosticado tem câncer de mama. No Brasil, segundo o INCA, o câncer de mama é o que mais acomete as mulheres no país, a incidência da doença aumenta em mulheres a partir de 40 anos.

O diagnóstico precoce possibilita que as chances de cura sejam muito maiores, por isso imprescindível que as mulheres conheçam o próprio corpo e façam o acompanhamento médico com regularidade.

Saúde pública e mulheres com deficiência


O sistema único de saúde (SUS) foi uma conquista para os brasileiros, inclusive serviu de modelo para outros países, porém, devido ao mau gerenciamento e falta de verbas o atendimento tem deixado a desejar, falta médicos, a espera é demasiada grande para consultas e falta equipamentos para exames.

São muitos os desafios para que as mulheres consigam um atendimento de qualidade e para mulheres com deficiência além destes desafios, o que mais impede que ela mantenha a saúde em dia?

Para saber sobre isso, a Talento Incluir realizou uma pesquisa com 52 mulheres com deficiência.

A pesquisa com mulheres com deficiência


A Talento Incluir coletou dados de mulheres com deficiência de todo Brasil. Através destes dados percebemos que, além dos desafios citados acima, 75% das respondentes informaram que os médicos e profissionais de saúde não estão preparados para atender mulheres com deficiência, “Já passei por experiências de médicos que não dirigiam a palavra para mim nas consultas e viravam para os meus acompanhantes. Essa atitude é mais grave do que parece porque, minha deficiência é física, então por qual motivo o profissional viraria para o meu acompanhante? “


Já outra mulher, agora com deficiência auditiva relata “Não consegui ouvir o nome, tive que aguardar mais tempo que o necessário e tenho dificuldades pra entender as orientações do médico, especialmente se estão usando máscara cirúrgica (máscaras dificultam a pessoa que necessita ler os lábios para entender o que está sendo dito).


Já sobre acessibilidade nas clínicas e hospitais, 50% das mulheres já deixaram de fazer exames, pois o local ou equipamentos não eram acessíveis. Entre os relatos, estão falta de macas acessíveis e equipamentos de mamografia para mulheres cadeirantes ou de baixa estatura. Uma delas diz: “De 4 anos pra cá após ter perdido meu convênio eu ainda não fiz um exame por motivo de acessibilidade na Unidade Básica de Saúde do meu bairro. Já aconteceu de estar no posto, querer fazer e ver total falta de interesse para me ajudar a subir na maca por exemplo”. 28,8% das mulheres que responderam à pesquisa informaram que já tiveram a saúde afetada por não realizar os exames.

Mesmo a Lei Brasileira garantindo o acesso à saúde para todas as pessoas com deficiência, (Art. 18. É assegurada atenção integral à saúde da pessoa com deficiência em todos os níveis de complexidade, por intermédio do SUS, garantido acesso universal e igualitário), há muito o que fazer, começando pela convivência familiar, 38,5% não se sentem confortáveis para falar sobre vida sexual com sua família, muitas vezes por superproteção ou por duvidar da capacidade da pessoa com deficiência de ter uma vida social de se relacionar com outras pessoas. Passando por médicos que muito provavelmente não tiveram a oportunidade de conviver com pessoas com deficiência e no momento do atendimento não sabem como fazer, e ainda os locais que não são acessíveis, portas de consultórios
estreitas, falta de interprete de Libras, falta de equipamentos adequados.


O assunto inclusão está na moda e queremos que ele continue para que as pessoas com deficiência possam ser incluídas com dignidade na sociedade e que possam desfrutar com acessibilidade dos mesmos recursos que as pessoas sem deficiência. E que mais pessoas continuem falando sobre o assunto, quanto mais as pessoas têm acesso a informação, com mais facilidade vamos quebrando as barreiras.


A pesquisa foi respondida por 52 mulheres com deficiência de todo o Brasil, em sua maioria deficiência física.


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